Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, entre os mais importantes do Brasil
13 Jul 2022

 

 

Se já era aclamado depois de, em Portugal, ter vencido o Prémio LeYa (2018) e, no Brasil, o Prémio Jabuti (2020) e o Prémio Oceanos (2020), o romance Torto Arado, que fez incidir sobre Itamar Vieira Junior os holofotes literários de meio mundo, é agora um romance imortalizado, uma vez que foi incluído na lista “200 anos, 200 livros”, uma iniciativa da Associação Portugal Brasil que consistiu num levantamento, efetuado por 169 intelectuais da língua portuguesa, por ocasião da celebração dos 200 anos da independência daquele país. O objetivo desta seleção foi identificar os livros que, nestes dois séculos, melhor permitem compreender o Brasil.

 

Dos primeiros 50 livros dessa lista, anunciada e publicada no passado mês de Maio, no jornal A Folha de São Paulo, apenas 16 foram escritos no século XXI, e um deles é precisamente o nosso bem conhecido Torto Arado, que figura no 33.º lugar, um feito notável para um livro de um jovem autor, até há muito pouco tempo completamente desconhecido dos leitores brasileiros e que se tornou, fruto do reconhecimento alcançado, dentro e fora do Brasil, numa das figuras centrais da sua literatura e da sua cultura.

 

Torto Arado está publicado em mais de 19 países e já vendeu, no total, mais de 350 mil exemplares. A editora Todavia, que o publica no Brasil, está a preparar uma edição em audiolivro, narrado por uma conhecida actriz, e tem igualmente prevista a publicação do livro em versão romance gráfico.

 

Paralelamente, a história das irmãs Bebiana e Belonísia, filhas de trabalhadores de uma fazenda no sertão da Bahia, onde vivem num estado de servidão igual ao da escravatura, já saltou das páginas do livro para vários palcos de teatro da Europa, desde logo na Áustria, onde estreou, estando já previstas futuras exibições na França e na Bélgica; sem esquecer que os direitos televisivos também foram, entretanto, adquiridos pelo que brevemente a série de TV baseada em Torto Arado será uma realidade.

 

Um sucesso universal de um livro que deixa naturalmente feliz a sua primeira editora, Maria do Rosário Pedreira, que depois de tudo o que de bom tem acontecido com Torto Arado escreveu o seguinte depoimento: «Que maravilha um livro cujo sucesso começou em Portugal com a atribuição do Prémio LeYa (e viu esse sucesso reproduzido no Brasil com os prémios Jabuti e Oceanos) estar agora entre os primeiros 50 títulos mais importantes da literatura brasileira, segundo um júri de intelectuais e literatos, publicada este ano no jornal Folha de São Paulo! Mas não é de estranhar: Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, fez o milagre de trazer para a leitura muitas pessoas que provavelmente achavam (melhor, sentiam) que a maioria da ficção publicada no Brasil nada tinha que ver com elas. Ele cativou um público novo que se identifica com as situações descritas no seu romance e com o autor, criado longe dos grandes centros culturais; ele pôs o dedo na ferida e mostrou um Brasil que, apesar de mais de um século passado da abolição, continua a ter uma larga franja da população afinal escravizada. Com o seu estilo poético e maravilhoso e a sua voz de conhecedor dos factos, ele homenageou os escritores clássicos e, seguindo-lhes as pisadas, acabou evidentemente a fazer-lhes companhia na lista. Uma alegria enorme saber que tudo começou neste cantinho do mundo e, porque não dizê-lo, passou aqui pela minha secretária.»

 

De salientar, voltando à referida lista dos 200 livros mais importantes para entendermos o Brasil independente, que dela fazem parte outros autores de grande relevo, também já publicados em Portugal em diversas chancelas da LeYa, desde logo Jorge Amado, Machado de Assis, Carlos Drummund de Andrade, Ferreira Gullar ou Paulo Lins.

 

Mais uma vez, Itamar Vieira Junior - e o Prémio LeYa – estão de parabéns!

 
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