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04 abril 2025

Os 60 anos da Dom Quixote

É com orgulho no caminho até aqui percorrido e determinada a manter o compromisso e os princípios que estiveram na origem da sua fundação, a 1 de abril de 1965, que a Dom Quixote se prepara para comemorar 60 anos.

60 anos na vida de uma editora que rapidamente assumiu um papel de inquestionável importância na divulgação da grande literatura, em língua portuguesa ou estrangeira, e que se afirmou, até hoje, como uma referência no panorama editorial português – pelo reconhecido prestígio dos seus autores, pelo rigor das suas escolhas, pela qualidade dos seus livros, pela abrangência temática do seu catálogo.

60 anos durante os quais, e por diversas vezes, foi precisa muita coragem para, em nome da liberdade de expressão, ter a ousadia de publicar o que não podia ser publicado, desafiando e afrontando os poderes e as normas então vigentes: os quatro primeiros livros da coleção Cadernos Dom Quixote foram, ainda nos anos 60, apreendidos pela PIDE; o poeta soviético Yevgeni  Yevtushenko visitou Lisboa a convite da editora, em 1967, acabando perseguido pela polícia política; a publicação da edição portuguesa de Os Versículos Satânicos, de Salman Rushdie, quando este lhe viu ser decretada a pena de morte pelo Ayatollah Khomeini, já nos anos 80, que colocou em risco de vida editores e tradutores do livro um pouco por todo o mundo.

60 anos que passaram e que nos deixam um testemunho que tudo faremos para continuar a honrar.

60 anos que vão ser celebrados ao longo de um ano, em diversos momentos, editoriais mas não só, alguns aqui anunciados, outros que mais para a frente serão conhecidos.

 

A data fundadora

 

A 1 de Abril de 1965, uma editora a que os sócios fundadores – Snu Abecassis, Vasco Abecassis e António Neves Pedro – resolveram dar o nome de Publicações Dom Quixote abria portas no número 117 da Rua da Misericórdia.

No espaço de uma década, sob a direção de Snu Abecassis, a Dom Quixote consolidou-se como uma editora respeitável e respeitada, em Portugal e não só. As coleções criadas, as apostas feitas, a publicação de livros e autores até aí desconhecidos, ajudam a explicar esse estatuto.

O Esconderijo, de Robert Shaw, A África Começa Mal, de René Dumont, e As Duas Culturas, de C. P. Snow, foram os três primeiros livros publicados com a chancela da Dom Quixote.

Mais tarde, na coleção Cadernos de Poesia, coordenada por Fernando Assis Pacheco, deu a conhecer autores como Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira, Carlos de Oliveira, Nuno Júdice, Maria Teresa Horta e Natália Correia.

Depois de nos anos 80 ter sido adquirida pelo editor Nelson de Matos, responsável pela publicação de alguns dos principais escritores de língua portuguesa, de António Lobo Antunes a José Cardoso Pires, de Miguel Torga a Manuel Alegre, de Lídia Jorge a João de Melo, de Maria Velho da Costa a Luísa Costa Gomes, de Pepetela a Mário Cláudio, que fizeram dela a grande casa dos autores portugueses, a Dom Quixote passou, em 1999, a fazer parte do grupo editorial espanhol Planeta.

Nessa altura, era já a editora de escritores de dimensão mundial como Gabriel García Márquez, Salman Rushdie, J.M. Coetzee, Philip Roth, William Faulkner, Mario Vargas Llosa, Amos Oz, Milan Kundera, Günter Grass ou John le Carré.

Em dezembro de 2007, a Dom Quixote juntou-se ao Grupo LeYa, onde continua a cativar e a inspirar gerações de leitores mantendo como preocupação primeira a edição e promoção de grandes autores – de ficção e de não-ficção.

 

Comemorações


Seis décadas de edição que serão assinaladas no período que vai de abril de 2025 a março de 2026, sob o velho lema “A Ler é que a Gente se Entende”, com iniciativas entre as quais se destacam:

 

Prémio de Poesia Nuno Júdice. Pretende-se, com a sua criação, dar à poesia a importância que a poesia merece, por um lado, e, por outro, homenagear Nuno Júdice, que nos deixou em março do ano passado.

O Prémio de Poesia Nuno Júdice, cujo regulamento, constituição do júri e valor monetário serão revelados em breve, destina-se a livros inéditos e está aberto a todos os candidatos. O livro vencedor será depois editado e publicado pela Dom Quixote – em março, mês da poesia, do ano seguinte.

As candidaturas abrem a 29 de abril, a data de aniversário de Nuno Júdice.

 

A página 60. A Dom Quixote agradece aos seus autores a confiança que nela depositam para a publicação das suas obras e reconhece a sua importância, que é decisiva, para o sucesso da editora. E, nesse sentido, estão também de parabéns. E serão por isso envolvidos nesta celebração. Um livro de cada autor português Dom Quixote será tornado exemplar único com a inserção, na página 60, de uma ilustração da autoria de Bárbara Assis Pacheco – uma ave que alude à liberdade que as Publicações Dom Quixote orgulhosamente ostentam desde a sua fundação. Liberdade editorial, de pensamento e de expressão. 

 

Edições especiais. Seis livros marcantes na história da ficção universal, traduzidos e publicados pela primeira em Portugal pela Dom Quixote, terão direito ao que se chama uma edição especial, lançados entre maio e outubro. Seis livros, simbolicamente um por cada década de vida da editora, que são:

 

Maio – O Amor nos Tempos de Cólera, de Gabriel García Márquez

Junho – A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera

Julho – As Velas Ardem Até ao Fim, de Sándor Márai

Agosto – Os Filhos da Meia-Noite, de Salman Rushdie

Setembro – As Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa

Outubro – A Vegetariana, de Han Kang

 

60 anos 60 poemas. Antologia com 60 poemas numa edição que será publicada em março de 2026.


DQ Noir. A partir de agora, todos os livros de género policial, o noir, passarão a ter uma nova identidade gráfica, que será acompanhada pela criação de novas páginas de redes sociais, exclusivas para esta coleção. O objetivo da Dom Quixote, que já conta no seu catálogo com mais de uma centena de títulos dos melhores autores de policiais, é aproximar-se ainda mais dos leitores e amantes de livros deste género literário.

 

Livrarias e Feira do Livro de Lisboa. Ao longo deste ano quem visitar as livrarias será surpreendido com decorações alusivas aos 60 anos da Dom Quixote, campanhas com descontos e várias ofertas. O mesmo acontecerá na próxima edição da Feira do Livro de Lisboa. Integrados na Praça LeYa, todos os pavilhões da Dom Quixote vão ser facilmente identificados pelos visitantes pelo ambiente festivo de celebração da editora, dos escritores e da literatura.   

 

Snu. Publicação de uma edição especial do livro Snu e a Vida Privada com Sá Carneiro, de Cândida Pinto. O livro chega às livrarias a 7 de outubro, dia em que Snu completaria 85 anos.

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